Artigo: Dípticos e trípticos de fotografia artística: histórias de Zack Zublena e inspiração para interiores no Brasil
Dípticos e trípticos de fotografia artística: histórias de Zack Zublena e inspiração para interiores no Brasil
Uma obra de arte pode mudar a maneira como você vive um ambiente. Em um apartamento em São Paulo, uma casa com jardim no Rio de Janeiro ou uma pousada no litoral da Bahia, a escolha de uma fotografia começa por algo pessoal: o que você sente quando olha para ela?
Sou Zack Zublena, artista franco-americano. Trabalho com pessoas reais, pintura corporal dourada, luz e movimento. Quando reúno duas fotografias em um díptico ou três em um tríptico, procuro uma conexão que ultrapasse a composição visual. Às vezes, levo anos para criar a imagem que considero capaz de acompanhar uma fotografia anterior e aprofundar a energia que sinto entre elas.
No Brasil, o acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles oferece um ponto de partida para explorar a fotografia como memória, linguagem e expressão artística. Aqui, quero compartilhar meu próprio percurso: as pessoas, os encontros e as escolhas que deram origem aos meus dípticos e trípticos dourados.
Antes de imaginar uma dessas obras na parede da sua casa, de um hotel ou de um espaço profissional, convido você a conhecer suas histórias.
O início: grandes felinos e minha primeira modelo em dourado
Em 2012, fotografei grandes felinos no Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Foi ali que minha relação com a fotografia começou a ganhar força. Os olhares, a presença e os instintos daqueles animais ficaram comigo.
Anos depois, combinei essas imagens com a primeira mulher que fotografei com pintura corporal dourada, em 2016. Sua presença era calorosa e sensual, com uma elegância que me marcou desde o início.
Ao aproximar sua imagem da dos felinos, quis expressar algo do animal que vive em cada um de nós. Neste díptico, essa força aparece ligada à feminilidade: uma presença que reúne instinto, delicadeza e confiança.
Um tríptico romântico: espelhos, reflexos e desfoque intencional
Estas fotografias foram feitas no final de uma sessão com uma cantora italiana. Ela estava sentada, sem roupas, em uma cadeira na minha sala. Eu estava no jardim, com as portas de vidro abertas.
Com a ajuda de um assistente e de um sistema de espelhos e reflexos, consegui registrar, na mesma exposição, a mulher dentro da sala e as roseiras que estavam atrás de mim. Cada imagem é uma única fotografia. A figura e as flores não foram fotografadas separadamente e sobrepostas depois.
Foi um desafio técnico. A posição do espelho, meu ponto de vista e o reflexo precisavam funcionar juntos. Ao mesmo tempo, eu queria que as imagens ficassem propositalmente desfocadas. A combinação fazia parecer que ela estava entre as rosas no jardim, embora permanecesse dentro de casa.
Para mim, o resultado é sonhador, íntimo e profundamente romântico. O desfoque torna o corpo quase sugerido: você percebe uma presença, um gesto e uma atmosfera, com espaço para completar a imagem pela própria imaginação.
Duas figuras sentadas: um díptico muito querido para mim
Este díptico tem um lugar especial no meu coração. Eu adorava a feminilidade e a graça da modelo. Sua postura tinha uma tranquilidade que eu queria preservar.
Depois, pedi a um modelo masculino que criasse uma posição semelhante. Queria unir essas duas presenças e permitir que suas poses conversassem.
Quando vejo as fotografias juntas, sinto uma conexão que me emociona. São duas pessoas diferentes que, por meio de um gesto, encontram uma forma de se acompanhar.
O feminino e o masculino divinos: figuras que se encontram
A fotografia feminina deste díptico é uma obra premiada. A postura ondulante e as curvas da modelo têm uma força que sempre me chamou a atenção. Decidi criar uma imagem masculina que pudesse acompanhá-la.
Juntas, as duas fotografias representam, para mim, o feminino e o masculino divinos. Essa é minha interpretação pessoal da composição: duas forças que se encontram e se complementam.
Eu poderia ter colocado as figuras de costas uma para a outra. Preferi orientá-las uma em direção à outra. Assim, sinto uma troca entre elas, como se o intervalo entre as fotografias também participasse da obra.
Lábios dourados e flores: a intimidade de um momento espontâneo
Fotografei as flores desta composição no meu próprio jardim. Os lábios são de uma modelo que estava comigo durante uma sessão, enquanto seu parceiro ainda recebia a maquiagem.
Aquele intervalo me deu a oportunidade de fotografá-la de perto. Seus lábios dourados tinham uma sensualidade delicada que, mais tarde, associei às flores.
Gosto muito dessa combinação. Para mim, ela traz uma sensação de primavera: frescor, vitalidade e intimidade. Um detalhe do rosto encontra as formas da natureza e cria uma nova leitura.
Este conjunto de lábios e flores também foi escolhido para um spa da David Lloyd. No artigo sobre minhas obras em mais de 120 clubes David Lloyd, compartilho mais sobre essa colaboração e sobre a presença da minha fotografia em ambientes de movimento e bem-estar.
Dança com fogo no deserto: movimento ao pôr do sol
Esta mulher é uma dançarina profissional especializada em dança com fogo e também ensina essa prática. Eu queria fotografá-la com pintura corporal dourada, então fomos para o deserto.
As imagens foram feitas ao pôr do sol, enquanto ela dançava com o fogo aceso. A combinação de movimento, luz e espaço aberto foi intensa. É uma experiência que permanece muito viva na minha memória.
Neste tríptico, vejo três momentos de uma mesma dança. Juntos, eles preservam algo da liberdade e da tensão daquela sessão.
Yoga em tons suaves: duas mulheres, cinco anos de diferença
Este é um dos meus trípticos favoritos. Embora sejam três fotografias, elas mostram duas mulheres diferentes. As imagens foram realizadas com cinco anos de diferença.
Mesmo assim, sinto uma ligação muito forte entre suas posturas e suas presenças. Os tons suaves de bege ajudam a compor o conjunto, mas é a serenidade dos corpos que realmente aproxima as fotografias.
Esta obra explica por que às vezes espero tanto antes de formar um díptico ou tríptico. Uma fotografia pode encontrar sua companheira anos depois. Quando essa conexão acontece, reconheço algo que ainda não estava completo.
Mãos em oração: um retrato encontra sua contraparte
A fotografia do homem veio primeiro. Eu gostava muito de sua postura e da concentração presente no gesto das mãos.
Mais tarde, quis criar uma imagem feminina que pudesse acompanhar esse retrato e formar um díptico. Pedi à modelo que adotasse uma posição semelhante, preservando sua própria presença.
Adoro o resultado das duas fotografias juntas. A semelhança dos gestos estabelece uma conexão, enquanto cada pessoa mantém sua individualidade.
Um estúdio de yoga em Los Angeles: a conexão de um único dia
Estas três fotografias foram feitas no mesmo dia, em um estúdio de yoga no centro de Los Angeles. As duas mulheres não se conheciam antes da sessão: uma era contorcionista e a outra, professora de yoga.
As duas participaram da maquiagem naquele dia. Ao longo da sessão, suas maneiras diferentes de se movimentar começaram a se complementar, e conseguimos imagens que considero muito especiais.
A figura em forma de estrela no centro dá um ponto de encontro à composição. As fotografias laterais mantêm seu próprio ritmo. Para mim, o tríptico guarda a lembrança de uma colaboração que nasceu naquele dia.
O corpo musculoso: um estudo escultural no meu jardim
Fiz estas fotografias no meu quintal. Queria observar de perto os músculos do modelo: suas linhas, a tensão e a maneira como a luz percorria o corpo.
A pintura corporal dourada acentuava uma presença quase escultural. Acho essas imagens sensuais e poderosas. O corpo se torna um conjunto de formas que convida o olhar a explorar cada detalhe.
Para quem gosta de investigar a representação humana em diferentes linguagens, o acervo do MASP, em São Paulo reúne pinturas, esculturas e fotografias, entre outras obras. Esse trânsito entre linguagens também me interessa: como um gesto pode adquirir presença em uma fotografia ou em uma forma tridimensional?
Um praticante de yoga em três posturas: equilíbrio e concentração
Este praticante de yoga é uma das pessoas com quem mais gosto de trabalhar. Seu domínio corporal e sua concentração me oferecem novas possibilidades a cada sessão.
Na fotografia central, suas pernas estão elevadas. As imagens laterais apresentam outras posições e ajudam a construir o ritmo do conjunto.
Sinto uma conexão particular com este tríptico. Para mim, ele reúne esforço, equilíbrio e uma tranquilidade que nasce da atenção ao próprio corpo.
Duas mulheres em movimento: lentes esquecidas e um desafio inesperado
No dia desta sessão, esqueci minhas lentes. As modelos já estavam prontas e tiveram que esperar enquanto eu ia ao centro de Los Angeles alugar o equipamento.
Voltei com lentes Zeiss sofisticadas que exigiam foco manual. Fotografar as modelos em movimento nessas condições foi um desafio. Às vezes, repetia a mesma fotografia cinco vezes para garantir uma imagem nítida.
Quando olho para estas fotos, lembro do esforço daquele dia, mas principalmente da parceria entre as duas mulheres. Seus movimentos deram origem a uma combinação de graça e força que me encanta.
O rosto fora do enquadramento: espaço para se reconhecer
Nestas fotografias, o rosto do praticante de yoga não aparece. Gosto da abertura que essa escolha cria. Você pode se conectar com a postura sem que um olhar determine o encontro.
As posições ajoelhadas têm, para mim, uma força silenciosa. Elas evocam atenção e presença, como um momento em que a pessoa se recolhe para escutar a si mesma.
Eu consideraria este tríptico para uma sala de meditação ou um canto tranquilo em casa. A escolha depende da relação pessoal que você estabelece com as imagens.
Borboletas e cores: uma composição de alegria e leveza
Estas imagens exigiram bastante trabalho de composição. Queria que a figura, as borboletas e as cores se encontrassem sem perder a leveza.
Gosto da alegria que elas transmitem. A silhueta graciosa da mulher e o movimento das borboletas criam uma sensação de vitalidade, como se tudo estivesse suspenso por um instante.
Na simulação de ambiente com o fundo azul e a guitarra, você pode perceber como essa combinação traz uma presença mais lúdica ao espaço. A sensualidade aparece acompanhada de cor, delicadeza e liberdade.
Invictus: uma lutadora de verdade com suas próprias espadas
Esta mulher é uma lutadora de verdade. Ela pratica luta corporal e também combate com espadas. Quando chegou ao estúdio com sua própria espada, fiquei imediatamente interessado no que poderíamos criar juntos.
Seus dreadlocks tinham acabado de ser arrumados no salão. Depois, aplicamos a pintura corporal dourada e começamos a fotografar.
O que mais me marcou foi sua convicção. A força destas imagens vem da pessoa que ela é e das habilidades que desenvolveu. Eu queria tornar essa presença visível.
Um gesto sobre fundo preto: a mesma postura, outra leitura
Neste díptico, exploro a mesma posição com e sem a cabeça no enquadramento. Essa mudança altera o caminho do olhar: em uma imagem, você permanece próximo da pessoa; na outra, sua atenção se concentra no gesto e na forma.
Gosto da simplicidade desta composição. O fundo preto destaca o dourado, enquanto o enquadramento acrescenta algo de intrigante.
Para mim, é uma obra contemporânea em que uma pequena alteração transforma profundamente a experiência de olhar.
Como escolher dípticos e trípticos para interiores no Brasil
Ao escolher uma fotografia artística, eu começaria pela presença que você deseja no ambiente. Você procura uma imagem que desperte conversa, uma composição íntima ou um conjunto que acompanhe momentos de silêncio?
Depois, observe a arquitetura, o mobiliário e a iluminação. Nos projetos brasileiros publicados pelo ArchDaily Brasil, é possível explorar diferentes relações entre materiais, luz e espaço. Esse olhar ajuda a imaginar como uma fotografia pode participar de um interior.
São Paulo: fotografia para apartamentos, escritórios e espaços de encontro
Em um apartamento em Higienópolis, uma residência nos Jardins ou um escritório na Vila Olímpia, eu observaria primeiro o tamanho real da parede e a distância de onde as imagens serão vistas.
Um díptico pode funcionar sobre um aparador ou em uma parede mais estreita. Um tríptico precisa de espaço para que os três painéis sejam percebidos como um conjunto. Em um ambiente com concreto aparente, madeira ou linhas marcadas, os corpos dourados podem estabelecer uma relação interessante com os materiais.
Para recepções empresariais e salas de reunião, avalie também o tema. A intensidade da figuração e a intimidade das imagens precisam fazer sentido para as pessoas que utilizam o espaço e para a identidade da empresa.
Rio de Janeiro e Brasília: luz natural, vistas e arquitetura
Em uma sala com grandes janelas no Rio de Janeiro ou em uma casa de linhas modernistas em Brasília, observe como a luz muda durante o dia. A parede que parece ideal pela manhã pode apresentar reflexos à tarde.
As figuras musculosas e as posturas de yoga podem dialogar com linhas arquitetônicas mais definidas. Já o tríptico romântico das roseiras oferece uma possibilidade mais suave para um quarto ou uma sala íntima.
Eu buscaria uma composição que convivesse bem com a vista e com o mobiliário, dando às fotografias espaço para serem observadas.
Belo Horizonte e Curitiba: arte, materiais e uma relação duradoura
Em uma residência em Belo Horizonte ou Curitiba, os tons da parede, a madeira dos móveis e as texturas dos tecidos podem orientar a escolha. O tríptico em tons de bege, por exemplo, permite explorar uma relação delicada com superfícies claras e materiais naturais.
Para ampliar o olhar sobre arte e espaço, o acervo de Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais oferece contato com diferentes linguagens, incluindo fotografia, escultura e instalações. Conhecer obras em contextos variados ajuda a perceber como a experiência muda conforme o lugar e o tempo dedicado a olhar.
Salvador, Recife e Florianópolis: escolhas para hotéis, pousadas e resorts
Para um hotel em Salvador, uma pousada em Recife ou um resort em Florianópolis, eu faria a seleção por ambiente. Uma suíte, uma recepção e um restaurante têm usos e públicos diferentes.
O díptico das figuras sentadas pode ser considerado para um quarto íntimo. A dançarina no deserto oferece um ponto de partida mais dinâmico para uma área de convivência. A composição de borboletas pode trazer cor a um espaço cuja identidade permita uma presença mais lúdica.
Essas são possibilidades de aplicação. A escolha final deve considerar o projeto, a experiência dos hóspedes e a relação entre a obra e os elementos já presentes.
Spas e estúdios de yoga: uma escolha sensível ao uso do ambiente
As mãos em oração, o praticante de yoga ajoelhado e a combinação de lábios e flores oferecem diferentes caminhos para ambientes de bem-estar.
Observe onde as pessoas permanecem, por onde circulam e a que distância verão as fotografias. Uma imagem contemplativa pode ganhar força em um ponto de pausa, enquanto uma sequência de movimentos pode acompanhar uma área de prática.
Antes de instalar uma obra em local sujeito à umidade, confirme a adequação do material de impressão, da proteção e da montagem às condições do ambiente.
Formato, espaçamento e iluminação: planeje o conjunto
- Meça a composição completa. Some a largura das fotografias e os intervalos entre elas.
- Teste com moldes de papel. Marque o tamanho real dos painéis na parede antes de decidir a posição.
- Defina um alinhamento comum. Em painéis do mesmo tamanho, uma linha superior ou central compartilhada ajuda a organizar o conjunto.
- Observe os reflexos. Confira a parede em diferentes horários e a partir dos principais pontos de circulação e permanência.
- Considere o acabamento. Escolha molduras e superfícies de apresentação levando em conta a iluminação e os materiais do espaço.
- Preserve espaço ao redor. Evite aproximar demais o conjunto de luminárias, portas ou objetos que dificultem a leitura das imagens.
Fotografia e cultura no Brasil: referências para continuar olhando
A relação com a arte também se desenvolve por meio de visitas, leituras e encontros com diferentes opiniões. A Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e a revista Estado da Arte, do Estadão, são caminhos para acompanhar a produção e o debate cultural no Brasil.
Ao olhar para minhas fotografias, convido você a conhecer também seus bastidores. Saber que duas imagens foram feitas com cinco anos de diferença pode mudar a maneira como você percebe sua conexão. Descobrir que uma cena de aparência onírica foi capturada com espelhos em uma única exposição pode despertar outra curiosidade.
Essas histórias fazem parte das obras. Elas guardam as pessoas que encontrei, as dificuldades de cada sessão e as decisões que tomei até chegar ao resultado.
Escolha uma obra cuja história continue com você
Às vezes, espero anos para criar a fotografia que poderá acompanhar uma imagem anterior. Procuro o momento em que o conjunto ganha uma energia mais profunda e os gestos passam a se responder.
Esse é também meu convite para sua escolha. Seja para uma casa, uma coleção particular, um hotel ou um espaço profissional no Brasil, comece pela conexão que você sente. Depois, encontre a escala e o lugar em que essa relação possa continuar no dia a dia.
Explore os dípticos e trípticos dourados de Zack Zublena →
Para aprofundar sua escolha, leia também meu artigo sobre dípticos e trípticos de fotografia artística.
